sábado, 7 de agosto de 2010

Recomeço(?)

Cedo ou tarde chega uma hora em que você se liberta. De alguma forma sente que algo não está certo, e que alguma coisa precisa mudar. Então você troca suas roupas no armário, queima as cartas que escreveu e nunca enviou, apaga contatos da sua lista telefônica e muda as musicas no seu mp3.
Vira a página. Começa do zero.
E aos poucos tudo parece estar dando certo, aquela sensação de limpeza e de novo te invade. Você nunca se viu tão bem. Logo suas frases deixam de ser melancólicas e cabisbaixas e passam a ser narcisistas, amantes do próprio rosto e da própria personalidade.
Mas para os cegos o espelho, uma hora, se torna cansativo, e chega a hora de se aventurar e encontrar outro porto. Querendo seguir em frente, acabamos voltando para nossa estrada de mão única do amor, corremos cantarolando aquelas musicas antigas que insistem em te acompanhar.
Eis que no meio do caminho, sentimos o gosto da lágrima como uma aposta perdida. Uma promessa não cumprida.
Voltando, você percebe que tudo continua exatamente onde devia estar. Seu coração foi formatado, mas de alguma forma, encontrou o backup.
E no seu antigo e verdadeiro mundo, sentado, você tenta fugir, então começa a escrever. Mas não te envergonhes. É no teu papel que reside tua força, e ela vai até você conforme é rasgada pelo lápis, outra vez, você se entrega e volta pro mundo que saiu. E vive com magia tudo o que é te dado em preto e branco.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Em outro sonho...



E talvez meu erro seja procurar palavras difíceis, momentos certos e pessoas perfeitas.
Aos poucos, vou inventando rostos, decorando falas e criando situações.
Como um poeta, invento amores.
Como louco, faço de conta que são meus.
Quando me entrego a insanidade e fecho meus olhos meu mundo cresce, se tranforma em algo particularmente mais interessante. Então corro por entre minhas casas pintadas de giz de cera, enfrento os dragões e te encontro, tão linda, no alto da torre, que mesmo em sonho, é inatingível.
De repente acordo, e como uma criança que cai, repito. E durmo novamente.

domingo, 4 de julho de 2010

E escrevendo me atrapalho. Brinco com as palavras, gaguejo com o intelecto. Tento fugir, parecer de novo são. Ou ao menos, consciente. Mas já me esqueci de onde guardei meu escudo. Na verdade, até minha espada já perdi. Desarmado procuro uma resposta, e temo as perguntas.
Fazendo de conta que não quero, entro, outra vez, nessa realidade inventada, procurando o que só eu conheci, e mesmo assim deixar passar.
Talvez, me encontrar não seja assim tão fácil.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Rogo ao Regresso

Acordo assustado olhando o vulto iluminado, não me lembro ao certo se é um sonho, ou uma triste realidade. Lá estava ele, parado, silencioso, com olhos que queimam.
Se aproximando volto a um estado de insanidade, hoje, quase habitual, e relembro as vozes que costumava ouvir no passado. No momento nada mais existe, me perco e ao mesmo tempo que me salvo me entrego ao mal. Brincando com minha alma, me esvaio.
De longe me olho, e vejo toda a tristeza que deveria sentir. Simplesmente não sinto. E não explico o porquê. Tudo que sinto é a música, e a solidão me chama a um dueto perfeito, e me roga que permaneça.
Tudo tão suave, sinto que me embriago com o próprio ar, e ausente da razão, luto, para não atingi-la assim, tão cedo. Porque essas coisas me vêm como brisa, causam o efeito de uma ventania e vão embora tão cedo quanto uma andorinha, que te faz sentir vivo por segundos, mas depois voa, levando toda a liberdade que a ela pertence.
E assim permaneço, revendo e relembrando, fingindo acreditar que nada existe além do que todos podem ver. Mas sei que o mundo esconde mais segredos do que me atrevo a dizer. Afinal, ele é companheiro da dor, amigo da fantasia e pai dos segredos. 

terça-feira, 9 de março de 2010



Ano após ano, você conhece mais pessoas, ouve menos o “Feliz Aniversário”, e se sente mais sozinho.
As redes sociais explodem, saem do ar. Os perfis aumentam em uma proporção maior que a da população, e a rede se entope de senhores e senhoras fakes. Como uma rede de pesca, que pescou um palhaço, acreditando ser um salmão.
Ao descobrir seu triste ponto no mundo, e ver que o mundo não gira em torno de nós, é buscado alguém que simplesmente goste, ou de atenção, nem que isso seja por simples oi, ou por qualquer outra forma de afeto. Mesmo que ela ocorra só por causa de uma imagem, e imagem de alguém já cansado.
E ao invés de ajudar, atrapalha: o fake, por um momento acredita ser o senhor do orkut.  Enquanto o do outro lado, cego por seu narcisismo mal formulado, finge que crê que tais músculos o adicionaram.
E os sapatos, que a cada dia se tornam mais altos, acredito que deve ser pensado: “Grandes pessoas, grandes sapatos”.
E eles vem acompanhados de uma boa dose de piruismo, com roupas coloridas, ou mais acessórios que quase falam: “Estou aqui, tenho meu estilo, e saiba: ele é melhor que o seu!”.
Antes as roupas serviam como armaduras, hoje são usadas como curativo para o ego ferido, o curando, e inflando de vez.
A consequência dessa brincadeira sem graça vai além do senhor e senhora emo, ou de qualquer pirua, levando a sociedade como um todo a um nível extraordinário de egoísmo. Que é aquele, regado pelo antropocentrismo.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Destinada a uma desconhecida

Poucas vezes pude dizer o que hoje digo: Essa noite sonhei.



Por um momento me alegro ao relembrar seu rosto de anjo, e seus olhos pequenos que me podem ver inteiro.
Mas também sofro, quando vejo tão pequenos olhos perdendo a luz, e aos poucos cada parte abandonando a alma, e caindo sobre a grama e orvalho.
Tudo tão lúdico e tão vivo, mas ao mesmo tempo morto e triste.
Sentia pelo silêncio, ao mesmo tempo em que desejava não mais acordar da morte, e tocar meus lábios nos teus, me surpreendendo ao não encontrar mais hálito.
Com isso acordo – e deixemos claro que queria acordar em um grito, para tirar até os deuses de suas moradas, para ter em refugio algo que me suportasse, e em beleza algo que se equipara a ti.
Porém acordei calado, e não via nada. Nem anjos, nem deuses, nem demônios. Era só eu e o silêncio, envolvido pelo sonho fúnebre.
Queria encontrar palavra mais certa para descrever o que senti. Me vem várias incertas.
Entre elas: a lágrima, o sal e o vazio.
Poderia agüentar de novo toda a lágrima, e igualmente todo o sal. Mas definitivamente enlouqueceria se outra vez sentisse aquele vazio. Era como se meus órgãos não mais existissem, como se fosse um vulto, na noite fria, sem vida e sem forma.
E por mais que me lembrasse que era só um sonho, me lembrava do sonho e caía novamente em delírio.
Podia ver os olhos perdendo a vida, a cor abandonando tua boca e teu corpo pouco a pouco perdendo o equilíbrio, bailando no ar, como mais pura seda que se entrega ao vento.
Àquela altura da madrugada já não sabia se me levantava e buscava o juízo ou se voltava a dormir e revia minha insanidade particular.
Sim, pois sonhava sozinho, e mesmo contigo morta, foi a primeira e também ultima vez que te tive em meus braços.

domingo, 1 de novembro de 2009